Patologias

Impacto Femoroacetabular


SÍNDROME DE IMPACTO FEMOROACETABULAR  DO QUADRIL


 A dor na região pode soar o alarme para a Síndrome de Impacto do Quadril, lesão conhecida por ter aposentado o tenista Gustavo Kuerten. Comum em diversos esportes, a patologia tem maior incidência em adultos jovens, entre 20 e 40 anos, mas pode ocorrem em qualquer idade e especialmente  em  mulheres a partir da 4ª década de vida.  O tratamento precoce, através de um programa de reabilitação, é possível prevenir danos maiores, mas não havendo resposta ao tratamento conservador, pode-se realizar intervenção cirúrgica por artroscopia, procedimento minimamente invasivo, realizado desde 2011 no IOT - Passo Fundo



Quais as características da síndrome de impacto do quadril? 

É uma patologia decorrente de alterações na anatomia normal do quadril, que faz com que em determinados movimentos ocorra conflito do fêmur com o acetábulo, o que provoca lesões no labrum e cartilagem articular e consequentemente dor. Com  a evolução do problema, em determinados casos, pode ocorrer evolução para processo degenerativo da articulação, ocasionando artrose (desgaste do quadril).


Quais os sintomas?

 Geralmente os pacientes apresentam queixa de dor em região da virilha e na parte anterior da coxa, desencadeada por atividades esportivas. Nas fases iniciais, a dor ocorre após ou ao fim da atividade, mas com a evolução ocorre durante as atividades podendo em muitos casos limitar ou impedir a realização dos exercícios. É comum a queixa de dor em movimentos de rotação do quadril como movimentos de entrar e sair do carro e períodos prolongados  na posição sentada. Estalidos e restrição da mobilidade do quadril também são queixas comuns.






Quais as causas? 

Existem dois tipos básicos de impacto femoroacetabular. O pincer quando há alteração no acetábulo e o came  quando há alteração no contorno normal da cabeça femoral. A maioria dos pacientes, entretanto, apresenta associação dos dois tipos. 




 A -  Impacto Tipo Came   B - Impacto Tipo PINCER


É possível prevenir a doença? Como?

É possível prevenir fatores relacionados ao surgimento dos sintomas, que desencadeiam a dor, como atividades que exijam amplitudes extremas de movimento do quadril e movimentos de hiperflexão do quadril sobre o tronco. Além de manter um bom condicionamento físico para prática de esportes, pois com isto,  há maior estabilidade articular e menor risco de lesões.


Como é realizado o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado através de uma boa anamnese e exame físico minucioso do paciente. Existem várias causas de dor na região do quadril e o diagnóstico inicia na consulta médica. Além da história e exame físico, o raio x é muito útil. Em casos selecionados há necessidade de complementar a investigação com exame de ressonância magnética e tomografia computadorizada.


Quais os métodos de tratamento?

Inicialmente o tratamento é conservador, com manejo da dor e reabilitação com uso de fisioterapia e modificação de hábitos dos pacientes. Persistindo a dor e incapacidade, sem resposta ao tratamento conservador, pode haver necessidade de tratamento cirúrgico,


Sobre a Artroscopia:




Como é realizado o procedimento?

A artroscopia é uma forma de acesso cirúrgico muito comumente utilizada na ortopedia, especialmente para cirurgias de joelho e ombro. Na última década, com o desenvolvimento de técnicas e instrumentais adequados, passou a ser utilizada também, na cirurgia do quadril. Consiste basicamente da introdução, através de duas ou três pequenas incisões na região do quadril,  de uma microcâmera na articulação  e de instrumentos específicos para realizar os procedimentos necessários. Obtendo-se uma imagem amplificada da articulação e das lesões articulares, o tratamento das mesmas é realizado através de uma abordagem minimamente invasiva.




Em quais casos é indicada?

Além do tratamento do impacto femoroacetabular, a artroscopia pode ser utilizada em outras patologias acessíveis por este método, como lesões labrais, lesões tendíneas e da cartilagem articular, desde que não associados a desgaste da articulação e quadros de displasia grave do quadril. A técnica artroscópica não é indicada em pacientes que apresentam desgaste em estágios mais avançados, quando o tratamento geralmente recai na indicação de prótese do quadril.


Quais as vantagens deste procedimento em comparação com uma cirurgia aberta?

Por ser pouco invasiva, tem internação geralmente de  apenas 1 dia, permite na maioria dos casos deambulação com carga precoce no membro operado, utilizado muletas para proteção por aproximadamente 2 semanas. Na cirurgia aberta além da internação mais prolongada, há necessidade de grandes incisões, consequentemente aumentam as complicações relacionados ao trauma cirúrgico e reabilitação mais prolongada.


Como ocorre a recuperação?

Usualmente, a fisioterapia é iniciada logo nos primeiros dias do pós-operatório e gradualmente com a recuperação é retomada a pratica de atividades físicas. Inicialmente caminhas, bicicleta e natação. O retorno as corridas geralmente é permitido após o 3º mês  e esportes de contato, como o futebol, a partir do quinto mês pós-operatório.


E os resultados?


O resultado do procedimento cirúrgico depende basicamente de três fatores: a idade do paciente (quanto mais jovem melhores os resultados), o tempo de sintomas (os resultados são melhores em pacientes operados com menos de 2 anos de sintomas) e o grau de comprometimento da articulação (pacientes com lesões mais extensas, especialmente da cartilagem, tendem a ter piores resultados).